Ad imageAd image

Ponto de Vista | Por Senhorita Portugal

Conquista News
4 leitura mínima

Estrear como colunista do Conquista News é, para mim, mais do que ocupar um espaço semanal. É assumir um compromisso com a reflexão, com o incômodo necessário e com a verdade que muitas vezes preferimos silenciar. A partir deste domingo, a coluna Ponto de Vista chega para dialogar com vocês sobre temas atuais, fatos da semana e, principalmente, sobre as estruturas que sustentam e adoecem a nossa sociedade.

Caros Leitores hoje, escolhi mergulhar nas contradições sociais começar com um desabafo. Um grito. Um convite à consciência.

Quero propor uma reflexão antes de qualquer julgamento: nós somos frutos do nosso tempo? Será que, há 50 anos, você sustentaria as ideias que hoje defende ou simplesmente seguiria o fluxo? Independentemente da sua identidade, da sua crença ou da sua posição ideológica seja marxista, monoteísta, cristão ou, como diria Belchior, “apenas um rapaz latino-americano” é importante deixar claro: falo aqui de estruturas, não da fé das pessoas.

Ao longo da história, a religião foi usada como instrumento de controle, especialmente sobre as mulheres. Fomos oprimidas por gênero, divididas em classes e carregamos, até hoje, a falsa herança de uma “culpa original”, baseada na ideia de que Eva pecou primeiro e não Adão. Essa suposta dívida vitalícia ainda é usada, nos dias atuais, para justificar abusos, silêncios e violências.

- Anúncio-

A violência contra a mulher não é apenas física. Ela está no olhar que fere, no dedo que aponta, na palavra que sangra. Ela cala mulheres que sonhavam, que sorriam, que ousavam ser diferentes. E mesmo sendo um tema polêmico, precisamos refletir juntos: a religião, enquanto estrutura de poder, já justificou assassinatos de mulheres na Idade Média e segue sendo usada, muitas vezes, para legitimar relações abusivas.

Sem dúvida, a família é uma das coisas mais importantes na vida das pessoas. Mas que tipo de estrutura familiar estamos defendendo? Aquela que protege ou aquela que silencia? Vivemos em um país que ocupa o 5º lugar no ranking mundial de mortes violentas de mulheres. Não podemos permitir que o amor seja distorcido em manipulação e crueldade.

Quando alguém diz que uma mulher em situação de violência doméstica precisa ser “sábia”, “edificar o lar” ou “suportar tudo”, essa pessoa tem sangue nas mãos. Simples assim.

Sinto que o ser humano perdeu a razão, a sanidade e o discernimento. Enquanto lidamos com tantos problemas sociais, vemos guerras destruindo nações, acidentes, explosões, fome, analfabetismo e pessoas sem teto, sem comida, sem dignidade. Vivemos um tempo de decadência. Ainda assim, escolho manter a esperança de dias melhores, porque refletir é resistir.

Me despeço de vocês, senhoras e senhores, com a certeza de que o silêncio nunca será uma opção.

Até o próximo domingo.

Senhorita Portugal

Dados que não podem ser ignorados:
Em cerca de 80% dos casos, o autor da violência é o companheiro ou ex-companheiro da vítima.
Aproximadamente quatro mulheres são mortas por dia no Brasil em decorrência do feminicídio.

Deixe um comentário

Share via
Send this to a friend