Hoje a cidade vive horas de angústia esperando que um novo milagre aconteça.
Mas uma pergunta precisa ser feita.
Até quando só Deus fará a sua parte?
Há poucos meses um homem foi sugado exatamente pela mesma galeria na Avenida Caracas.
Sobreviveu por um milagre.
A cidade inteira viu.
A cidade inteira entendeu o recado.
Ali existia uma armadilha urbana pronta para transformar chuva em tragédia.

Era hora de agir.
Era hora de corrigir o problema.
Era hora de impedir que aquilo voltasse a acontecer.
Mas nada foi feito.
Nada.
O perigo ficou no mesmo lugar.
Esperando.
E hoje Vitória da Conquista revive o mesmo drama.
No mesmo ponto.
Pelo mesmo motivo.
Quando um risco é conhecido e o poder público escolhe ignorá-lo, o que acontece depois deixa de ser acidente.
Passa a ser consequência da omissão.
E enquanto a cidade vive essa angústia, dois movimentos políticos acontecem.
A prefeita já se projeta como possível candidata a vice-governadora da Bahia.
Ao mesmo tempo, dentro da própria cidade, lançou o marido candidato.
Não tenho nada contra ele.
Mas é impossível ignorar o símbolo disso.
Ele é o primeiro cavalheiro da cidade e passa a representar justamente a continuidade dessa gestão.
Isso transforma inevitavelmente a eleição em um julgamento da própria administração.
De um lado, o projeto de levar esse modelo de gestão para toda a Bahia.
De outro, o projeto de mantê-lo dentro de casa em Vitória da Conquista.
Diante disso, a pergunta é simples.
Conquista quer continuar esperando milagres?
Ou quer uma administração que faça a sua parte antes que a tragédia aconteça?
Porque milagre pertence a Deus.
Responsabilidade pertence a quem governa.
Por
Leonardo Mascarenhas


