A quem Vitória da Conquista deve cobrar pela solução do esgoto a céu aberto?
A crise do saneamento em Vitória da Conquista não depende apenas de uma única autoridade, mas há, sim, um centro principal de responsabilidade política e administrativa: o Governo da Bahia.
Isso acontece porque a operação do sistema de água e esgoto está ligada à Embasa, empresa estatal controlada pelo governo estadual. Portanto, a população conquistense tende a concentrar sua cobrança diretamente sobre o governador e sobre a estrutura estadual responsável pelo saneamento.
Mas a dimensão do problema tornou inevitável uma mobilização mais ampla. A sociedade de Conquista precisaria pressionar simultaneamente diferentes níveis de poder para transformar o saneamento em prioridade regional.
Os deputados estaduais da região têm papel importante porque são os representantes políticos mais próximos do governo estadual. São eles que podem pressionar por inclusão de obras no orçamento da Bahia, acelerar projetos e transformar o tema em pauta permanente dentro da Assembleia Legislativa.
Já os deputados federais e senadores podem atuar na busca de recursos federais. Hoje, grandes obras de saneamento frequentemente dependem de verbas da União, financiamentos públicos e programas nacionais de infraestrutura. Sem articulação em Brasília, Vitória da Conquista pode acabar perdendo espaço para outras cidades mais organizadas politicamente.
A prefeitura também não fica fora da responsabilidade. Embora o sistema seja estadual, o município possui papel decisivo no planejamento urbano, fiscalização, drenagem, regularização de bairros e cobrança institucional sobre o Estado. Uma prefeitura politicamente mobilizada consegue aumentar pressão técnica e política por investimentos.
Na prática, porém, a população conquistense provavelmente precisaria concentrar sua cobrança em três frentes principais:
Governo do Estado da Bahia;
Direção da Embasa;
Bancada política de Vitória da Conquista, tanto estadual quanto federal.
Historicamente, obras estruturantes só avançam quando existe pressão contínua da sociedade organizada. Entidades empresariais, universidades, movimentos comunitários, imprensa local e setores produtivos poderiam transformar o saneamento numa pauta central da cidade, acima das disputas partidárias.
O maior risco para Conquista talvez seja justamente a normalização do problema. Quando o esgoto a céu aberto passa a ser tratado como algo “crônico” ou “natural”, o poder público deixa de sentir pressão real para agir. Cidades que conseguiram avançar no saneamento normalmente fizeram disso uma causa coletiva permanente.
No fundo, o saneamento em Vitória da Conquista deixou de ser apenas uma questão técnica. Tornou-se uma questão de prioridade política. E prioridades políticas geralmente nascem quando a sociedade decide cobrar de forma organizada, contínua e pública.

Por Humberto Pinheiro

