Por Leonardo Mascarenhas – Especial para o ConquistaNews
A manhã do dia 21 de abril de 2025 amanheceu mais silenciosa. Silenciosa como a Praça de São Pedro, em Roma, quando o Papa Francisco apareceu pela primeira vez na sacada da Basílica em 2013, saudando o mundo com sua simplicidade arrebatadora.
Francisco se foi. Deixa um legado impossível de ignorar — e uma série de perguntas no ar: quem será seu sucessor? O que muda para a Igreja? O que muda para o mundo?

Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio, foi muito mais do que um líder religioso. Ele foi o primeiro Papa latino-americano, jesuíta, e o primeiro a escolher o nome de Francisco — um sinal claro da direção que tomaria: humildade, pobreza, paz e diálogo.
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Em um mundo tomado por guerras, intolerância, radicalismo e desigualdade, Francisco falou para além dos católicos. Enfrentou de frente os escândalos de abusos sexuais, reformou a Cúria Romana, defendeu os refugiados, o meio ambiente, o diálogo inter-religioso e, sobretudo, os marginalizados.
Mas o que vem agora?
O conclave que se aproxima será um dos mais importantes das últimas décadas. O sucessor de Francisco precisará equilibrar o desejo de continuidade com os anseios por uma Igreja que responda aos desafios contemporâneos. E nessa disputa espiritual, diplomática e estratégica, alguns nomes despontam.
Entre os mais cotados estão Matteo Zuppi (Itália), um pastor humanista e aberto ao diálogo; Pietro Parolin, o diplomata veterano do Vaticano; Luis Antonio Tagle, das Filipinas, carismático e global; Jean-Claude Hollerich, do Luxemburgo, que simboliza a nova sinodalidade.
E sim, o Brasil também tem um nome forte na disputa: Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo. Com sólida formação teológica, forte atuação na Cúria Romana e liderança sobre a maior arquidiocese do hemisfério sul, é visto como um possível papável latino-americano com trânsito entre conservadores e progressistas.
Ainda que improvável, a eleição de um Papa brasileiro colocaria o país, novamente, no centro da atenção mundial — não pela política ou pelo futebol, mas pelo espírito.
Enquanto isso, o Vaticano segue. Pequeno em território, mas gigante em influência. Um Estado soberano, com poder diplomático sobre mais de 180 países, um orçamento multimilionário e uma autoridade moral capaz de influenciar decisões globais. Um exemplo? O Papa foi um dos principais incentivadores do Acordo de Paris sobre o clima e atuou como mediador indireto entre Cuba e Estados Unidos.
Mas talvez o maior legado de Francisco tenha sido lembrar ao mundo que a Igreja deve ser, antes de tudo, humana. Em suas palavras:
“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído às ruas, do que uma Igreja enferma pelo fechamento.”
Com sua partida, o mundo segura a respiração.
Não apenas os católicos, mas todos aqueles que ainda acreditam em líderes que falem com o coração.
E que, como Francisco, não tenham medo de sujar as sandálias para andar entre o povo.
Aos fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana, deixamos aqui, com respeito e reverência, nossos mais sinceros sentimentos. Que o Espírito Santo ilumine o caminho da sucessão e console os corações de todos os católicos neste momento de luto e esperança.

Leonardo Mascarenhas – Vivendo e respirando o Direito há mais de 21 anos
Colunista convidado do ConquistaNews

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