{"id":5703,"date":"2025-02-10T16:58:32","date_gmt":"2025-02-10T16:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/conquistanews.com\/teste\/?p=5703"},"modified":"2025-10-31T01:51:24","modified_gmt":"2025-10-31T01:51:24","slug":"captalismo-do-sofrimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/conquistanews.com\/teste\/captalismo-do-sofrimento\/","title":{"rendered":"Captalismo do Sofrimento"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Considera\u00e7\u00f5es sobre a medicaliza\u00e7\u00e3o como forma de desligar um sintoma na interface com a depend\u00eancia entre paciente e analista<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Por Davi Amancio de Souza-Crp. 19\/155-Vit\u00f3ria da Conquista. Fevereiro-2025.<\/p>\n<p>Ao revisitarmos a hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel notar que o sofrimento humano est\u00e1 presente desde os prim\u00f3rdios da humanidade, inferimos assim que seja de qualquer ordem, ou por quais motivos ocorra, ele \u00e9 inerente a condi\u00e7\u00e3o humana. Sem falar do car\u00e1ter pedag\u00f3gico que ele pode assumir, sendo que esse tema ser\u00e1 objeto de discuss\u00e3o no pr\u00f3ximo texto intitulado, o car\u00e1ter pedag\u00f3gico do sofrimento na vida humana.<\/p>\n<p>Mas, se no contexto da ascens\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na Europa tivemos um poder que se apropriava dos corpos para o trabalho a fim de faze-lo produzir, no s\u00e9culo XIX, surge um novo tipo de poder que tinha um car\u00e1ter disciplinar, esse foi classificado por Michel Foucault, como \u201cbio poder\u201d.\u00a0 <img decoding=\"async\" class=\" wp-image-5483 alignleft\" src=\"https:\/\/conquistanews.com\/teste\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/amancio.jpg\" alt=\"\" width=\"171\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/conquistanews.com\/teste\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/amancio.jpg 250w, https:\/\/conquistanews.com\/teste\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/amancio-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 171px) 100vw, 171px\" \/><\/p>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido lembrar que existem medicamentos que s\u00e3o chamados \u201ctarja preta\u201d, em virtude do seu potencial risco e a necessidade de controle. Assim, cabe uma indaga\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 que ao se prescrever apressadamente esses medicamentos n\u00e3o estar\u00edamos no fundo tentando manter os corpos bem disciplinados, e os pacientes por sua vez, fazendo uso de um ansiol\u00edtico, ou antidepressivo n\u00e3o estariam procurando uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida ao inv\u00e9s de tratar o sintoma investigando as causas que permeiam esse sofrimento?<\/p>\n<p>Entretanto, tempo \u00e9 um luxo que essa gera\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ter tempo, especialmente para as coisas mais importantes da vida. Desta forma, prosseguimos imersos nesse imediatismo, ora nessa aliena\u00e7\u00e3o de si, ora inflacionando os afetos e por conseguinte recorrendo aos medicamentos como forma de desligar um sofrimento.<\/p>\n<p>Isso serve bem aos interesses capitalistas das drogarias. Por outro lado, capital n\u00e3o \u00e9 uma pessoa ou um ente, \u00e9 antes tudo aquilo que atribu\u00edmos valor, e no espectro da teoria social do capital evolu\u00edmos atualmente para pensar que temos diversos tipos de capitalismos, mas imaginemos isso por meio da met\u00e1fora de um monstro com v\u00e1rios tent\u00e1culos, essa fera seria o capital, sendo esses tent\u00e1culos os v\u00e1rios tipos de capitalismos respons\u00e1veis por nutri a fera a partir dos nossos desejos para os quais atribu\u00edmos valor.<\/p>\n<p>Assim temos o capitalismo da f\u00e9, t\u00e3o antigo que esteve presente no com\u00e9rcio instalado em frente ao templo em Jerusal\u00e9m nos dias de Jesus. Capitalismo de dados, considerando que as informa\u00e7\u00f5es sobre os indiv\u00edduos de uma sociedade \u00e9 uma ferramenta<\/p>\n<p>valiosa. Capitalismo da tecnologia, em alta ultimamente com a ascens\u00e3o da intelig\u00eancia artificial, IA, e ultimamente o capitalismo do sofrimento, a obten\u00e7\u00e3o de um lucro a partir do sofrimento do outro que por sua vez cria uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com o analista.<\/p>\n<p>Embora seja fato, que um ser humano pode lucrar com o infort\u00fanio do outro, recentemente tenho lan\u00e7ado o olhar como pesquisador de forma especifica sobre dois pontos que considero importantes nesse contexto, o uso de medicamentos de maneira inconsequente como forma de desligar um sofrimento ao inv\u00e9s de tratar considerando aquilo que causa. Para al\u00e9m disso, ao ouvir ultimamente algumas narrativas de pessoas que dizem estar j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos em um atendimento sequenciado que parece n\u00e3o ter fim, culminando por criar uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre paciente e analista, estive me perguntando, ser\u00e1 que de alguma forma esse sofrimento n\u00e3o estaria sendo capitalizado?<\/p>\n<p>Assim, algumas perguntas sobre esses fen\u00f4menos s\u00e3o necess\u00e1rias, a quem interessa esse excesso de medicaliza\u00e7\u00e3o que tem ocorrido, especialmente nos \u00faltimos anos? a hip\u00f3tese \u00e9 que isso tem servido bem aos interesses da ind\u00fastria farmac\u00eautica, e na esteira desse processo as redes de farm\u00e1cias que a cada dia se multiplicam, certamente lucrando a partir do sofrimento humano.<\/p>\n<p>Por outro lado, na literatura psicanal\u00edtica, o trip\u00e9 de um atendimento deveria ser composto de recordar, repetir e elaborar, mas se um paciente apenas recorda e repete, e n\u00e3o elabora, que exerc\u00edcio da psicologia \u00e9 esse que n\u00e3o promove a autonomia dos sujeitos por meio do desvencilhar dessa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia? Esses s\u00e3o questionamentos inconvenientes, por\u00e9m necess\u00e1rios, se consideramos que em qualquer contexto do tratamento da sa\u00fade mental, \u00e9 imprescind\u00edvel propiciar, autonomia e assegurar a liberdade para que as pessoas possam fazer suas escolhas.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que essa cultura da medicaliza\u00e7\u00e3o como forma de deligar um sofrimento, pode ao inv\u00e9s disso agravar o sofrimento se o sujeito j\u00e1 tiver perdido a liberdade para escolher, e para al\u00e9m disso a m\u00e9dio ou longo prazo determinado medicamentos podem provocar dem\u00eancia conforme j\u00e1 foi comprovado cientificamente.<\/p>\n<p>Finalmente, inferimos que, aqueles\/as que se tornam dependentes de um profissional em psicologia, ou psiquiatria para equacionar suas demandas, e por essa raz\u00e3o o tratamento parece n\u00e3o ter fim, consideremos a possibilidade de que ambos n\u00e3o tenham perdido apenas o poder de decis\u00e3o, mas precisem de atendimento para lidar com quest\u00f5es mal resolvidas.<\/p>\n<p>CAPITALISMO DO SOFRIMENTO: considera\u00e7\u00f5es sobre a medicaliza\u00e7\u00e3o como forma de desligar um sintoma na interface com a depend\u00eancia entre paciente e analista<\/p>\n<p>Davi Amancio de Souza-Crp. 19\/155-Vit\u00f3ria da Conquista. Fevereiro-2025.<\/p>\n<p>Ao revisitarmos a hist\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel notar que o sofrimento humano est\u00e1 presente desde os prim\u00f3rdios da humanidade, inferimos assim que seja de qualquer ordem, ou por quais motivos ocorra, ele \u00e9 inerente a condi\u00e7\u00e3o humana. Sem falar do car\u00e1ter pedag\u00f3gico que ele pode assumir, sendo que esse tema ser\u00e1 objeto de discuss\u00e3o no pr\u00f3ximo texto intitulado, o car\u00e1ter pedag\u00f3gico do sofrimento na vida humana.<\/p>\n<p>Mas, se no contexto da ascens\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na Europa tivemos um poder que se apropriava dos corpos para o trabalho a fim de faze-lo produzir, no s\u00e9culo XIX, surge um novo tipo de poder que tinha um car\u00e1ter disciplinar, esse foi classificado por Michel Foucault, como \u201cbio poder\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 v\u00e1lido lembrar que existem medicamentos que s\u00e3o chamados \u201ctarja preta\u201d, em virtude do seu potencial risco e a necessidade de controle. Assim, cabe uma indaga\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 que ao se prescrever apressadamente esses medicamentos n\u00e3o estar\u00edamos no fundo tentando manter os corpos bem disciplinados, e os pacientes por sua vez, fazendo uso de um ansiol\u00edtico, ou antidepressivo n\u00e3o estariam procurando uma solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida ao inv\u00e9s de tratar o sintoma investigando as causas que permeiam esse sofrimento?<\/p>\n<p>Entretanto, tempo \u00e9 um luxo que essa gera\u00e7\u00e3o parece n\u00e3o ter tempo, especialmente para as coisas mais importantes da vida. Desta forma, prosseguimos imersos nesse imediatismo, ora nessa aliena\u00e7\u00e3o de si, ora inflacionando os afetos e por conseguinte recorrendo aos medicamentos como forma de desligar um sofrimento.<\/p>\n<p>Isso serve bem aos interesses capitalistas das drogarias. Por outro lado, capital n\u00e3o \u00e9 uma pessoa ou um ente, \u00e9 antes tudo aquilo que atribu\u00edmos valor, e no espectro da teoria social do capital evolu\u00edmos atualmente para pensar que temos diversos tipos de capitalismos, mas imaginemos isso por meio da met\u00e1fora de um monstro com v\u00e1rios tent\u00e1culos, essa fera seria o capital, sendo esses tent\u00e1culos os v\u00e1rios tipos de capitalismos respons\u00e1veis por nutri a fera a partir dos nossos desejos para os quais atribu\u00edmos valor.<\/p>\n<p>Assim temos o capitalismo da f\u00e9, t\u00e3o antigo que esteve presente no com\u00e9rcio instalado em frente ao templo em Jerusal\u00e9m nos dias de Jesus. Capitalismo de dados, considerando que as informa\u00e7\u00f5es sobre os indiv\u00edduos de uma sociedade \u00e9 uma ferramenta<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>valiosa. Capitalismo da tecnologia, em alta ultimamente com a ascens\u00e3o da intelig\u00eancia artificial, IA, e ultimamente o capitalismo do sofrimento, a obten\u00e7\u00e3o de um lucro a partir do sofrimento do outro que por sua vez cria uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia com o analista.<\/p>\n<p>Embora seja fato, que um ser humano pode lucrar com o infort\u00fanio do outro, recentemente tenho lan\u00e7ado o olhar como pesquisador de forma especifica sobre dois pontos que considero importantes nesse contexto, o uso de medicamentos de maneira inconsequente como forma de desligar um sofrimento ao inv\u00e9s de tratar considerando aquilo que causa. Para al\u00e9m disso, ao ouvir ultimamente algumas narrativas de pessoas que dizem estar j\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos em um atendimento sequenciado que parece n\u00e3o ter fim, culminando por criar uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre paciente e analista, estive me perguntando, ser\u00e1 que de alguma forma esse sofrimento n\u00e3o estaria sendo capitalizado?<\/p>\n<p>Assim, algumas perguntas sobre esses fen\u00f4menos s\u00e3o necess\u00e1rias, a quem interessa esse excesso de medicaliza\u00e7\u00e3o que tem ocorrido, especialmente nos \u00faltimos anos? a hip\u00f3tese \u00e9 que isso tem servido bem aos interesses da ind\u00fastria farmac\u00eautica, e na esteira desse processo as redes de farm\u00e1cias que a cada dia se multiplicam, certamente lucrando a partir do sofrimento humano.<\/p>\n<p>Por outro lado, na literatura psicanal\u00edtica, o trip\u00e9 de um atendimento deveria ser composto de recordar, repetir e elaborar, mas se um paciente apenas recorda e repete, e n\u00e3o elabora, que exerc\u00edcio da psicologia \u00e9 esse que n\u00e3o promove a autonomia dos sujeitos por meio do desvencilhar dessa rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia? Esses s\u00e3o questionamentos inconvenientes, por\u00e9m necess\u00e1rios, se consideramos que em qualquer contexto do tratamento da sa\u00fade mental, \u00e9 imprescind\u00edvel propiciar, autonomia e assegurar a liberdade para que as pessoas possam fazer suas escolhas.<\/p>\n<p>Finalmente, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que essa cultura da medicaliza\u00e7\u00e3o como forma de deligar um sofrimento, pode ao inv\u00e9s disso agravar o sofrimento se o sujeito j\u00e1 tiver perdido a liberdade para escolher, e para al\u00e9m disso a m\u00e9dio ou longo prazo determinado medicamentos podem provocar dem\u00eancia conforme j\u00e1 foi comprovado cientificamente.<\/p>\n<p>Finalmente, inferimos que, aqueles\/as que se tornam dependentes de um profissional em psicologia, ou psiquiatria para equacionar suas demandas, e por essa raz\u00e3o o tratamento parece n\u00e3o ter fim, consideremos a possibilidade de que ambos n\u00e3o tenham perdido apenas o poder de decis\u00e3o, mas precisem de atendimento para lidar com quest\u00f5es mal resolvidas.<script>;<\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considera\u00e7\u00f5es sobre a medicaliza\u00e7\u00e3o como forma de desligar um sintoma na interface com a depend\u00eancia entre paciente e analista Por Davi Amancio de Souza-Crp. 19\/155-Vit\u00f3ria da Conquista. 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